domingo, 23 de outubro de 2016

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acho que nunca tinha acontecido isso comigo: de não sentir nada por ninguém. claro que por nada eu não quero dizer literalmente, é só sobre não ter mais aquele rush por falar com alguém, aquele nervosismo de receber uma mensagem, aquele anseio por começar uma conversa, aquela vontade de poder ver. é a primeira vez que, pelo menos, eu reparo que to assim. não tem uma conversa que eu queira puxar, uma opinião que eu queira ouvir, uma pessoa que eu queira encontrar.

eu to desencantada. eu parei com as minhas idealizações, eu não deixo mais minha imaginação ir tão longe. não tenho muito mais vontades. e queria poder dizer que eu to me prendendo ao que é real, mas no real também nada acontece. eu me sinto destacada do mundo, do meu corpo e da minha mente, eu to meio que ~existindo~ simplesmente e nada muito a mais.

eu queria muito encontrar alguma razão pra me animar por algo, queria que passassem todos esses julgamentos que eu fico fazendo a tudo o tempo todo.

eu queria conversar com alguém que me conhece e me entende, mas todas essas pessoas ou eu excluí da minha vida ou me excluí da vida delas. ou eu não consigo confiar. tem muitas que me conheciam, ou que eu achava que me conheciam, mas talvez eu tenha parado de falar com elas sobre mim porque agora elas parecem não fazer mais a mínima ideia de quem eu sou. parece que todos de repente resolveram me dar umas opiniões totalmente contrárias ao que eu quero ouvir, todos acham que eu devo fazer algo que eu nunca faria. será possível que eu mudei tanto que eu não me reconheço mais na imagem que amigos mais próximos têm de mim? sei lá

mas todas as vezes que eu tenho contado algo pra alguém tem saído extremamente diferente do que eu penso que vai ser. to ficando bem pesada com as coisas e tudo sempre foi tão leve. por que de repente tá tudo tão importante? e porque ao mesmo tempo as coisas mais importantes não acontecem?

eu só quero muito ter pessoas ao meu redor ao mesmo tempo que eu to sem o mínimo saco pra incluí-las na minha vida. pra dar todo o background e pra pintar o quadro de quem eu sou. mas eu to com saudade. to sentindo falta desse sentimento. de querer conversar por várias horas e expor minhas ideias e discutir sobre elas e não ir dormir até as 7 da manhã só porque ce não tá mais em condições de distinguir as letras na tela. eu quero sentir alguma coisa que deixe sorrisinhos na minha cara sem nostalgia. quero ansiar por alguma coisa. sei lá, um preenchimento pra essa sensação de "quero fazer uma coisa mas não faço ideia do que". "quero sair pra algum lugar mas não faço ideia de pra onde". "quero falar com alguém mas não faço ideia de com quem". eu quero viver.

sábado, 8 de outubro de 2016

duas

é aquele limiar estranho entre o altruísmo e o egoísmo. me fazem algo de ruim. eu sofro de um jeito que eu não consigo lidar. eu faço algo ruim. "pior". agora a culpa é minha. agora eu também caguei.

por que eu quero ter a culpa pra mim? eu lido melhor com "ser ruim" do que com ter de me impor. mas se eu aceito tanto a culpa como minha, como pode ser que eu ainda fuja dos meus problemas? de enfrentá-los? como eu quero fugir da culpa e dos conflitos ao mesmo tempo?

por isso que eu acho que eu só quero a culpa quando, na verdade, ela não é minha. eu não quero a culpa, eu só quero o drama. eu não faço algo pior, eu faço algo bem tranquilo e começo a dar um enfoque ridículo e desnecessário como se eu realmente achasse aquilo ou como se realmente importasse pra mim. eu crio uma cena. eu faço parecer que eu to sofrendo muito, só pra reverter a situação. pra pessoa se sentir mal por mim. pra ela ficar com pena. pra ela me falar que não é bem assim, que é exagero, que eu não me preocupe. eu quero ser a pessoa que sofre.

mas qual o objetivo disso? só tirar a atenção ruim de cima da pessoa pra ela mesma esquecer a discussão em que ela cagou comigo? ou pra eu esquecer? ou só pra eu ser cuidada? só pra ser o centro das atenções?

por que eu faço tanta questão de que saibam que eu to sofrendo? por que eu sofro tanto? algumas coisas são mesmo só uma cena, só eu inventando que me preocupo com algo para o qual não dou a mínima na real, mas muitas vezes eu sinto mesmo que eu que fodi as coisas. isso sempre quando a culpa não é minha.

porque dai, quando a culpa DE FATO é minha, eu desmorono. eu perco total capacidade de reação. eu não consigo pensar em nenhuma resolução a não ser voltar no tempo. e eu só me torturo com idealizações de mundos em que as coisas acontecerem diferente, e esqueço que tenho um mundo real pra resolver.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

tudo

não é egoísmo, é egocentrismo.

eu não quero tudo pra mim e só pra mim, eu tenho tudo. não só eu, não é exclusivo, mas eu tenho. eu tenho tudo e quando eu não tenho -- pá -- eu tenho de novo.

acho que o que mais me incomoda é que nem sempre é culpa minha. na real, praticamente nunca é culpa minha. eu não sei direito por que isso acontece, mas as coisas SEMPRE DÃO CERTO. e é escrotão mesmo eu estar reclamando disso, mas é, eu to. eu to reclamando não por não gostar (até porque quem não gostaria), e sim por um senso de injustiça que, vai, é parecido com a classe média que doa hollister desbotada. porra, o mundo nunca deixa eu me foder. mesmo quando eu me fodo eu to por cima. mesmo quando eu sofro não sou eu quem sofre mais. e quando sou? bom, quando sou primeiramente 1) eu perco o chão por algumas semanas e segundamente 2) tudo se resolve.

o jacques pode dizer o quanto ele quiser que é cármico, que é porque eu to sempre evitando maltratar os outros e que eu mereço por ser uma pessoa boa, mas acho que agora até ele se convenceu de que eu não sou tão benevolente e altruísta assim, não é mesmo.

talvez na verdade nem seja tudo tão bom quanto parece, talvez mais pessoas sintam isso também. é que eu escuto tanto e vejo tanto o quanto os outros sofrem e são injustiçados que não consigo evitar de pensar que eu to sim recebendo tratamento especial. mas se pá eu só acho tão bom porque é o que tá acontecendo comigo e talvez os outros também estejam, no fundo, satisfeitos com o que eles têm, e eles só não pararam pra reparar bem nisso.

talvez tenha a ver com o timing, talvez quando o momento bom chega eu paro de pensar nos ruins todos que vieram antes. talvez eu simplesmente seja um pouco mais otimista do que penso ser. talvez eu seja só extremamente conformista, na real, e tudo acaba sendo bom de um jeito ou de outro.

mas isso não muda o fato de que as coisas que me fazem sofrer são passageiras e minhas conquistas são grandes sem muito esforço aparente. as situações sempre acabam se encaixando do jeito menos pior -- pra mim. não pra qualquer outra pessoa. pra mim. e eu nem sempre ajo ativamente pra que isso aconteça.

então por que? por que tá todo mundo conspirando pra me deixar satisfeita? ou o quanto eu to sendo egocêntrica de pensar que eu to tão melhor que tanta gente? e como eu posso agir pra que as coisas mudem? porque até onde é nobre e não culpado querer se livrar do que se tem de bom?

sábado, 23 de julho de 2016

inside/out

dentro de mim, tudo é tão bonito

tem tantos sentimentos, tanta profundidade, tanta empatia, tanto a ser dito. tanto amor por tanta gente. tanto pensamento e tanta análise sobre tanta coisa, consequentemente tanta vontade de dar um abraço em tanta gente e dizer que eu entendo, que não é pra se preocupar. tanta vontade de fazer tudo ser melhor pra todos. tanta esperança de que é possível e de que dá pra começar pequeno. tanta certeza de que nada disso é o fim, de que nada pode ser tão ruim a ponto de acabar com um mínimo de alegria que possa ser.

mas aí fora é só essa apatia de sempre. essa parede que mal consegue juntar energia pra externalizar qualquer coisa que seja. que sempre some da vida de todo mundo, não demonstra nenhum indício de importância, não compartilha as angústias e também não consegue lidar com elas sozinha.

é legalzinho pensar que o que eu realmente sou, o que de fato importa, é o que tá por dentro. mas de nada adianta toda essa utopia se na prática eu não tenho a mínima capacidade, ou até mesmo vontade, de sair da posição de mínima energia e aprender a desbloquear esse canal entre quem eu penso ser e quem eu sou.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

completude

to pensando que talvez minha sensação de vazio e de inutilidade e de falta de identidade tenha a ver com o quanto eu me acho responsável por ajudar os outros.

não, eu nunca me fiz disponível pros meus amigos, eu nunca fui a pessoa que estaria lá sempre que necessário. mas não tanto por egoísmo quanto por exaustão. acho que às vezes eu to tão triste que não existem forças pra ouvir e confortar e aconselhar e lidar. e às vezes eu só não faço ideia de como poderia ajudar tal pessoa ou em tal situação. mas isso também no que se trata de ajuda emocional, no qual eu sempre tive um bloqueio -- em ajudas práticas eu sempre sou a primeira a me oferecer.

aí talvez eu tenha criado uma personalidade baseada em apoiar outra(s) pessoa(s). em geral, uma de cada vez por períodos grandes ou curtos. eu me moldo aos gostos e crenças, eu ganho confiança e simpatia e quando me sinto segura vou moldando aos poucos, contornando o que acho que deve ser mudado, reparando pequenos problemas que encontro e transformando aquela vida em uma que me pareça ser melhor pra própria pessoa e pras que estão ao redor dela. eu me infiltro nos pequenos mundos pra torná-los melhores fazendo pequenas correções de um jeito que ninguém se sinta agredido. eu mudo a minha zona de conforto pra que ninguém tenha que sair da sua e consiga melhorar dentro dela.

eu sou um parasitinha que quer mudar as coisas uma por uma sem grandes conflitos. e eu espero estar fazendo algo bom dentro do possível.

mas no meio disso eu esqueço um pouco de existir por mim, de manter alguma autenticidade. eu sou tão mutável pelos outros que às vezes esqueço de ser eu. e isso me traz um vazio existencial porque frequentemente parece que não tem nada aqui dentro, que eu não vivo por mim.

mas ao mesmo tempo eu vou juntando meus pedacinhos com o que aprendo com os outros. pode nem sempre haver muita autenticidade pessoal, mas mantenho meus princípios bem montados e coerentes, reconstruindo sempre que necessário.

minhas relações são, portanto, muito baseadas em trocas. mesmo quando ninguém me oferece nada, dá pra absorver por observação.

mas a questão principal disso tudo é: como eu vou estar com alguém que já é completo? como vou me relacionar com uma pessoa que aprendeu tudo que poderia aprender? e quando eu estiver esgotada, e quando minha "missão" for cumprida? eu tenho tanta necessidade de ser útil que, quando não me sinto mais assim, me parece que a relação acabou. que não tem mais pra onde ir. eu não vejo mais sentido, eu fico insatisfeita e me sinto um pedaço de nada. eu só consigo me sentir amada enquanto me sinto necessária.

e quando isso acontecer? como eu vou fazer pra conseguir continuar?

quarta-feira, 22 de junho de 2016

stalker

por que eu gosto tanto de fuçar nas redes sociais de pessoas que nem necessariamente me interessam?

não sei

talvez seja porque eu gosto muito de saber das histórias dos outros, das experiências que tiveram, e isso tudo só tá estampado de forma crua e real* no momento em que a publicação foi feita e qualquer versão que me contem é enviesada ou adulterada ou infectada por emoções posteriores

*notem aqui que por real eu quero dizer a forma como a pessoa escolheu ilustrar o momento, e não como o momento de fato aconteceu, porque sabemos muito bem o quão manipulável é a imagem que publicamos

talvez seja porque eu gosto de procurar evidências de histórias mal contadas ou não contadas e de desenvolver minhas próprias visões sobre as particularidades dos outros, que podem ou não podem vir a ser confirmadas depois

talvez também eu queira descobrir algo que eu nunca descobriria de outra forma porque a pessoa simplesmente nunca falaria sobre aquilo comigo

talvez eu tenha certeza de que (a não ser que a pessoa tenha esquecido completamente de apagar) tudo que alguém posta na rede e deixa acessível na rede é sim pra ser visto, é sim pra ser lido, seja por quem for ou quando for, tenha ela ciência disso futuramente ou não. vide este blog cuja existência não comento com ninguém mas, bom, tá aqui aberto ao público só esperando um clickzinho

talvez eu só seja curiosa pra caralho mesmo, talvez muita gente se incomodasse se soubesse o quão fundo eu já posso ter ido em uma página do instagram ou do facebook. talvez eu perca way too much tempo com isso. mas no fim eu não tenho dúvidas de que a internet é pública e eu não to usando nada para o ~mal~, e que se foda o quão idiota isso seja, eu gosto muito de ver as coisas que as pessoas escolhem compartilhar das suas vidas.

então é, tenham como esta minha declaração assinada de stalker.

domingo, 19 de junho de 2016

juras

eu tenho que _______
eu vou parar de _______
eu deveria _______
eu tinha que _______
eu não vou mais _______
eu poderia _______
eu precisava _______
eu gostaria de _______
eu vou começar a _______

e assim se passou uma vida inteira

terça-feira, 7 de junho de 2016

frágil

eu nunca pedi pra existir. eu não quis, não gosto, não escolhi. mas se eu não existia, quem era eu pra decidir? quando eu não existir mais o sofrimento todo vai embora? porque meu medo não é do que vem depois, é simplesmente de haver um depois. de o não existir ser apenas o fim da passagem do espaço-tempo e eu apenas ficar presa no último momento. por mais que estando presa nele eu nunca vou saber que tem alguma coisa diferente acontecendo. até porque, tem alguma coisa acontecendo?

não, meu desejo não é morrer. meus pensamentos e minhas ânsias não são suicidas. eu só quero que a existência passe o mais rápido possível e que eu possa chegar logo na fase da inconsciência, porque às vezes se torna muito difícil ter que ser. saber que ainda tenho ANOS pela frente. controlar esse agrupamento de matéria que eu reconheço como meu corpo e fazer qualquer coisa insignificante pra manter minha vida e a das pessoas ao meu redor. conviver com vários outros "eus", várias outras consciências que parecem não ter fundamento nenhum pra existir, e fazer coisas extremamente efêmeras pra sentir alguma coisa enquanto somos conscientes, enquanto estamos vivos.

mas o "eu" é frágil demais pra ser real.

não que tudo seja um sonho, não que estejamos na matriz. mas é só um bando de reações e sinapses, talvez com algum toque divino, se você assim preferir, que existem em um planeta dentre infinitos durante alguns milênios dentre milhões de todos aqueles que podem existir. e é claro que a gente se diverte, que fazemos dessa existência a mais repleta que podemos, pra que nossa passagem tenha significado pro universo que é cada um de nós, já que tudo que existe pra mim está contido em mim, na minha capacidade de entender e aprender, no meu tempo e no meu espaço de atuação.

mas poxa vida, não parece que nada disso é importante? não parece besteira ver tanta merda, ouvir tanta merda, saber que existe tanta merda, pra no fim só deixar de existir? sendo que deixar de existir é tão fácil, sendo que a vida é tão frágil. não dá só uma vontade de que tudo isso simplesmente passe de uma vez?

quinta-feira, 3 de março de 2016

por que não dá vontade de viver

to morando nessa casa onde de três meses pra cá começou a dar merda atrás de merda. e merda em casa de 12 estudantes nunca é fácil de resolver, ninguém quer ter o trabalho e são coisas muito acumuladas devido a negligência de morador antigo, tipo infiltração. ninguém quer lidar porque as consequências são de longo prazo e não se fica em rep por grandes períodos de tempo. e pra consertar é grana e dor de cabeça altas.

então eu devo e vou sair daqui no máximo ao fim desse semestre. e futuramente, quem sabe, eu terei minha casa própria ou alugada. eu vou procurar por um lugar livre de problemas e vou cuidar bem melhor porque vai ser meu. vou resolver problemas assim que eles surgirem. mas também vou desembolsar um dinheiro. vou ter que gastar além do aluguel, terei de reservar uma parte do meu salário pra lidar com imprevistos se eu quiser evitar dívidas. se for pra viver essa vida, precisarei administrar meu dinheiro muito bem pra conseguir o que eu gostaria, que é não me afundar em débito e conseguir ter um mínimo de diversão que eu queira sem ter que contar moedinha.

eu vou ter que trabalhar pra isso. eu terei ambições e necessidades cada vez maiores, se eu não conseguir me segurar. eu serei vítima do mal da geração: trabalharei cada vez mais tempo pra suprimir gastos cada vez maiores e terei cada vez menos disponibilidade de fazer as coisas que eu quero. trabalharei cada vez mais para pagar coisas que terei cada vez menos tempo para usufruir. e qual o sentido disso? será que eu conseguiria me controlar e me dar por satisfeita com menos, ao invés de querer sempre mais?

eu adoro falar pra mim mesma que eu sou diferente, que eu não vou me deixar ser escrava do sistema, mas a gente sabe muito bem que não é fácil assim. eu sempre me sobrecarrego de tarefas. eu as executo até que feliz porque sinto que quando estou sendo útil e resolvendo um problema eu to ganhando experiências incríveis que me farão tão melhor na vida. só que isso é uma ilusão, porque o resultado nunca é o que eu esperava que fosse. não me causa o crescimento imaginado e não me traz vantagens na vida. eu não ganho nada além da satisfação de ver algo bem feito e feito por mim.

e eu não consigo encontrar a fonte direta dessa satisfação. não entendo por que eu me sinto tão feliz por ter realizado tarefas. é uma satisfação grande pra mim, sim. mas nào parece trazer retorno. e como eu não sei de onde vem, eu culpo de certa foma o sistema meritocrático no qual cresci. não penso que ninguém é pior ou preguiçoso por não tentar ou não fazer: não uso esse pensamento pra colocar ninguém pra baixo, apenas para cobrar mais de mim mesma e justificar essas necessidades que sinto.

apesar de viver nisso, eu acho terrível.

e qual meu escape? não sei bem, talvez embarcar na ideia do jacques de ir pra alguma sociedade sustentável. mas é tão difícil acreditar que vai ser diferente em algum lugar. quer dizer: diferente vai ser, sim, mas sou tão cética pra acreditar que mentes humanas organizadas em sociedades podem, sabe, funcionar bem. minha descrença é na própria cabeça das pessoas, nessa incapacidade inerente de grande parte delas em, sei lá, simplesmente respeitar um ao outro. ou simplesmente perceber que o que elas tão fazendo NÃO É respeitar um ao outro.

eu não vejo jeito nenhum de o mundo dar certo enquanto a gente estiver nele. eu confio cada vez menos na capacidade humana de cuidar e habitar esse planeta de um jeito coerente, porque eu tenho certeza que humanos não. são. coerentes. não adianta. e a gente vive nessa ilusão de que por ser racionais temos o direito de ter o "melhor", de fazer o que queremos. é uma prepotência gigantesca, e não, não acho que dá pra ir pra nenhum lugar bom (pra mim) desse jeito.

e é isso, é isso que me faz não querer estar aqui. não quero me foder pra caralho pra me encaixar em um negócio que vai me fazer sofrer mais ainda sempre que eu pensar nisso. e não vejo uma saída, prática ou não prática, pra fugir dessa coisa toda a não ser fingir que nada disso existe e continuar seguindo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

carta pra enviar algum dia

oi.

não faço ideia de como você vai receber isso, até porque não faço ideia do que você pensa sobre mim. se acabou magoado, se me odeia ou se me despreza, se sente uma grandessíssima indiferença ou se, como eu, guarda um certo carinho pela história toda. afinal, a gente nunca mais se falou - e acho que talvez deva ter sido melhor assim pros dois. mas mesmo depois de ter superado, mesmo após as lembranças começarem a se tornar cada vez menos frequentes, vira e mexe surge sua imagem na minha cabeça junto com uma grande vontade de saber sobre você. como você tá, que pessoa se tornou, se encontrou um jeito de ficar feliz ou satisfeito com a vida, já que era complicado enquanto a gente tava junto. quando vejo o quanto isso ainda me toca, percebo que os resquícios do que eu sentia possivelmente não vão embora, mesmo que estejam diluídos a doses bem discretas e saudáveis.

você foi tudo pra mim numa intensidade adolescente difícil de alcançar. com você parecia tudo tão extremo e devastador de um jeito que era impossível me imaginar sem. talvez tivesse mais a ver com a idade do que com qualquer outra coisa, mas não importa a causa, importa o efeito que é a marca que ficou disso.

hoje eu meio que (amém) já saquei as coisas que eu podia ter feito diferente pra não ter virado do jeito que virou, e, bom, é aquele negócio de aprender com os erros. não sei se pedir desculpa agora vale de alguma coisa, mas na época também eu não fazia ideia de como lidar com os nossos problemas. mas é um saco que aquela amizade legal que a gente tinha no começo tenha caminhado pra dias sem se falar direito, e isso eu sei que é culpa minha. eu podia ter lidado bem melhor com as suas inseguranças ao invés de ter, de certa forma, alimentado muitas delas. podia ter te trazido mais pra dentro da minha vida "real", podia ter te feito sentir que você também fazia parte daquilo. por essa falta de diálogo da minha parte eu realmente sinto muito, e acho que no fim foi um tanto bem grande disso que resultou nos ruins todos.

o que acontece é que eu também sempre fui muito insegura no sentido de nunca achar que qualquer coisa que viesse de mim fosse boa o suficiente. e é aí que entra sua culpa. não sei bem como começou, mas chegamos a um ponto em que nada do que eu falasse parecia te interessar. era tudo meh. tudo dispensável. eu me sentia uma das últimas opções de amigos com quem você ia falar pra se divertir. pode sim ser noia, mas eu sei que quando a gente começou a conversar não era assim. você costumava fazer parecer super massa tudo que eu falava, tudo que eu mostrava, todas as piadas. e depois de um tempo virou meio que o oposto disso, não sei se por culpa minha ou não. mas foi daí que veio todo o meu afastamento, digamos. foi por isso que eu parei de te falar sobre meu dia a dia, sobre as pessoas com quem eu convivia. foi por isso que você não sabia mais com quem eu andava e por isso que qualquer novo nome masculino que eu citasse era um sofrimento enorme.

bom, a culpa é mútua. era tudo bem facinho de resolver, era mesmo, mas a gente era tão novo e tão bobinho que não ia rolar. eu não ia conseguir te fazer perceber o que eu precisava de você, e você me fazia entender o que queria de mim, mas seus pedidos me pareciam absurdos. e isso simplesmente porque a gente não se entendia. a gente não queria exatamente a mesma coisa. o que a gente cobrava de um era irreal e impossível para o outro. a gente, duas pessoinhas inseguras pra caralho de jeitos diferentes, decidiu insistir em um relacionamento à distância. distância física e, no fim, também pessoal. a gente se meteu num buraco bem esquisito insistindo em tentar achar ou criar no outro algo que não tinha como estar lá.

mas foi bom, né? sei lá, eu achei. por uns dois anos eu focava muito no final, na merda que eram as três horas de conversa mal conversada, as ligações de celular pra ficar quieto sem saber o que dizer, os feriados e férias, que eram pra ser bons, recheados com brigas e choradeiras. mas agora têm me surgido na cabeça muito mais imagens daquele comecinho mais feliz. de quando a gente ria pra caralho junto e dava vontade de escrever uns texto gigante só pra dizer que eu te curtia. de quando era fofinho lembrar de você com letra de música. do dia que eu tava nervosa pra caralho fazendo matrícula em faculdade e, sei lá, você só pegou e me fez rir. de quando você me chamava pra jogar uns negócio online e eu era muito, muito ruim mas você nem ligava. essas memórias eu gosto demais de ter.

meu maior medo, na real, é que cê pense no que aconteceu como um "negócio de internet" e que não teve muito valor. sei lá, não acho que seja assim, vindo de você. e espero que você não tenha mudado a ponto de pensar diferente. mas o que eu meio que quero dizer com isso é que, mesmo com as parte ruins, hoje eu realmente olho pra tudo com um sorriso na cara. e, sei lá, obrigada por ter feito parte disso tudo. foi uma parte grande, sim, e que significou coisa demais pros meus 20 e pouquinhos anos de vida.

bom, é isso. não é uma tentativa de voltar a fazer parte da sua vida. na verdade nem sei muito bem pelo que eu to escrevendo isso. acho que eu só tinha essa vontade muito grande de te deixar saber que aquela história toda foi incrível e que você é/foi (não sei direito o tempo certo) uma pessoa muito importante e muito querida pra mim, desde os jogos de flash que você me fazia jogar até as aulinhas de matemática durante as férias. e, sei lá, espero que essas lembranças também te tragam algo bom.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

sobre querer ser importante

vou contar um ciclo que foi muito presente durante minha vida toda. eu costumava ser bem quieta e reservada, só me abria e me sentia um pouco mais à vontade nos meus grupinhos seletos e pequenos. também sempre me dei bem em todas as matérias e essa combinação inevitavelmente fazia com que eu tivesse fama constante de nerd. por causa disso, sempre que eu tentava agir de um jeito mais extrovertido saía forçado e eu sentia que tava sendo awkward demais e que claramente tava fazendo algo errado. daí eu só me arrependia e parava, com minha espontaneidade reprimida por mim mesma, sempre achando que eu nunca seria aceita e nunca faria parte daqueles grupos de pessoas tão grandes e que eram amigos de tanta gente mais.

isso ainda tá bem incrustado em mim, mesmo que eu já tenha melhorado bastante minha confiança e já consiga me deixar fazer algumas das coisas que eu quero fazer. ainda me sinto um tanto imbecil quando por impulso ou por álcool começo a me destacar e tacar o foda-se em algum evento social. mas pelo menos agora eu sei que tenho a capacidade de conversar com alguém pela primeira vez sem o desespero de sentir que eu não sou nem um pouco interessante e que não tenho nada a acrescentar na conversa. consigo até que escapar bem de silêncios constrangedores sem me sentir constrangida e achar engraçadinhas as piadas e brincadeiras que eu mesma faço. acho, sim, que tenho uma personalidade bacaninha e que se não gostam de mim não é realmente culpa minha. as inseguranças que rolam hoje em dia se baseiam em não ter um grupo de amigos maior ou mais diversificado.

só que mesmo acreditando no meu potencial de fazer amizades, ou de pelo menos conversar com pessoas que fazem parte do meu dia a dia mas não são necessariamente amigos, eu ainda não faço isso. acontece que eu to no mesmo ambiente da faculdade há quatro anos e nunca falei muito com ninguém além dos meus amigos do meu ano e das pessoas que moram comigo. daí parece esquisito demais eu começar a fazer parte de outros grupos que tavam lá ao meu redor todo dia e eu aparentemente nunca dei a mínima. não sei como começar de novo relações que eu já viciei em serem de certo jeito. acho que agora é essa barreira que eu tenho que transpassar.

de qualquer jeito, eu percebi também que minha vontade nunca foi exatamente só me encaixar. acho que eu sempre quis me destacar nos meios dos quais eu não participava. eu não queria ser mais uma, queria ser diferente do que todos já eram. queria trazer algo novo e ser a única a fazer isso. e isso sempre fez eu me sentir egocêntrica. eu argumentava sozinha que tinha a ver com eu não gostar realmente do jeito que aquelas pessoas eram e querer entrar no mundo delas sem me alinhar, e não com querer ser o centro das atenções. mas é mentira. porque quando surgia alguém parecido comigo, que tinha "autenticidades" parecidas com as minhas, eu não começava automaticamente a gostar da pessoa. ia mais pra uma raivinha por ela estar fazendo o mesmo que eu.

no fim, meu desejo de ser diferente pra ser aceita não passava de uma tentativa forçada de ser especial. e é algo que mexe comigo até hoje. porque é, sim, muito legal pensar que só você é capaz de fazer alguém sentir tal coisa ou ter tal reação. não só em relações românticas. eu mesma me encarrego de dar pequenos títulos exclusivos pra todas as pessoas que gosto dentro da minha cabeça: tenho aquela pessoa que é ótima em trocadilhos, aquela que adoro conversar com sobre filmes, a pessoa que indica músicas, a que eu poderia ouvir falar por horas. então eu quero ser a ganhadora de pequeninos prêmios na vida de todo mundo também, oras.

mas o importante é que eu aprendi a deixar que as coisas que me fazem única saiam involuntariamente. não faz sentido me esforçar pra fazer de mim alguém interessante. não preciso ser melhor do que alguém pra me destacar. todos nós podemos ter nossos espaços sem que ninguém precise ficar por cima de ninguém. podemos, sim, ser especiais sem ser únicos.

não sei como concluir porque nem sei por que comecei a escrever esse texto de auto-ajuda, sei lá, devo estar em um dia otimista talvez. mas é isso: acho que gosto muito mais de mim hoje do que eu gostava uns cinco anos atrás. sei lá, quanto mais eu deixo transparecer sem medinhos as coisas que são naturalmente minhas, melhor eu aceito a mim mesma e aprendo a controlar o que eu não curto. sabe, a gente não melhora se a gente não se der oportunidade e/ou se ficar pra sempre mirando naquilo/naqueles que gostaríamos de ser.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

perdas

meu maior defeito é não saber lidar com frustrações. não passei por muitas na minha vida, tudo acabava se encaixando e os episódios que poderiam ser mais traumáticos eu sempre blindei. nunca aprendi a trabalhar sobre as coisas ruins e simplesmente aceitar que elas acontecem mesmo, e não só com os outros. minha reação a frustrações é, inevitavelmente, encontrar um jeito de me culpar pelo que aconteceu. mesmo que não tenha nenhum sentido lógico, sempre acho um jeito de me covencer de que eu causei a situação. é um processo destrutivo e muitas vezes incontrolável.

daí que, pra mim, perdas beiram o insuportável. qualquer tipo delas. me angustia um elástico de cabelo destroçado por um gato, uma meia sem par, um lápis quebrado ao meio. mas claro que as perdas de coisas mais significativas pesam mais, podendo tumultuar minha cabeça por meses a fio.

to escrevendo isso porque, principalmente nos últimos dias, não consigo parar de pensar no iminente fim da faculdade. eu vejo os bixos sendo aprovados e comemorando e só consigo pensar em como eu entrei daquele mesmo jeito, trazendo no bolso uma vitória recém conquistada e uma liberdade de não ter que fazer mais grandes escolhas por algum tempo. uma sensação de "vida temporariamente resolvida". e vejo como pra mim esse período inteiro já acabou. cada vez menos matérias, cada vez mais preocupações reais. os que estão entrando já são quase novos demais pra mim, e eu não tenho mais pela frente esse mundo de bolha que é a universidade. esse catálogo de pessoas parecidas com você: mesma faixa etária, pensamentos divergentes mas ainda assim dentro de uma mesma esfera, poucas surpresas, tudo se encaixando em esteriótipos já bem conhecidos. várias páginas praticamente em branco. ninguém com muito compromisso com ninguém.

é difícil partir disso pra um mundo competitivo, onde trabalhar juntos realmente significa isso. ações com consequências reais e perigosas não só pra você. o término do aprendizado como principal atividade, passando a ser quase que um hobby e não mais uma obrigação.

e eu me vejo saindo daquela casa, indo pra longe das festas inconsequentes, da leveza de só reclamar sobre namorados e professores. me deparo com um potencial problema financeiro, com não ter certeza se vai ou nào ter como me virar no próximo mês, nos próximos anos. com o quanto vai ser difícil me mexer depois de 20 anos parada. com o jeito que eu me sinto incapaz de lutar por algo necessário e desejado. com como eu preciso ter tudo bem resolvido e pré determinado para não desmoronar.

porque é isso, me sinto desmoronando. não parece haver saída razoável, não há grandes coisas no mundo que me façam achar que viver nele valha a pena. não enquanto todos correm atrás de uma mesma coisa ao mesmo tempo. não vendo mil pessoas entrarem na faculdade todo ano pra todos se formarem e arranjarem um emprego e fazerem parte dessa maquininha em que ninguém tem finalidade própria, só estão andando na direção de um novo caminho. ninguém nunca para, mas ninguém chega a um destino. e eu, preguiçosa e desesperada como sempre fui, só queria saber que chegarei a algum lugar.

domingo, 24 de janeiro de 2016

qualémeuproblema.txt

clichêzão: minha cabeça é terrível. eu sempre encontro um jeito de não me sentir bem e os gatilhos são sempre os mesmos.

eu sei qual é um dos problemas, e é algo bem comum. é meio que aquela síndrome do facebook de que outras vidas podem parecer muito mais interessantes do que a sua. e o que aconteceu especificamente aqui foi ver postagens no grupo do tiq em que as pessoas parecem se divertir e se gostar tanto, e ter uma vida social universitária tão semelhante às dos filmes, que eu olho praquilo e penso: eu me divertiria com essas besteiras todas, por que eu não to lá no meio disso?

é tão fácil botar culpas, achar que é por eu ter namorado todos esses anos, por eu não ter me sentido tão à vontade com os veteranos na unicamp, por eu ter ido pra universidade errada no sentido social. que se eu tivesse nascido dez anos antes seria diferente. que se eu estivesse sozinha ou em outro lugar eu teria me enturmado melhor. mas não deve ser bem por aí, eu só to querendo algo que na real eu não quero ou não consigo ter.

se o problema fosse estar namorando eu não teria ficado dependente que nem uma otária das mesmas companhias de sempre quando eu finalmente fui pro tiq. acho que só não é o meu negócio. eu não sirvo muito pra ficar nos grupos """""zoeiros"""""""" porque isso não tem muito a ver comigo, mesmo que eu quisesse. eu não sou engraçada, eu sou cagacenta e relutante, eu evito quebrar a maioria das regras e eu não entro na onda de brincadeiras perigosinhas. eu tenho medo de dar uma baforada num lança perfume porque eu acho que eu vou morrer. eu tenho extrema relutância em fazer amizades porque eu não quero mais gente me ""cobrando"""" atenção. eu quero algo que eu não saberia lidar com.

eu to me lamentando por momentos de euforia que devem parecer bem mais legais quando as pessoas contam do que devem ter realmente sido quando aconteceram. to chorando por uma sensação de pertencimento que eu não sentiria nesses meios. eu quero correr atrás de uma "juventude perdida" que eu escolhi perder.

sei lá, eu sempre tive um pouco disso de querer estar entre os ~cool guys~ e em alguns meios e por algumas épocas esparsas eu fiz parte de grupos de pessoas que eu achava daora. claro que minha definição de daora muitas vezes não era exatamente as pessoas populares, e no fim eu realmente tinha uns grupinhos pequenos e pouco destacados. e às vezes eles eram o suficiente, às vezes não. e acontece que a galera que eu tenho em campinas tá cada vez menos me satisfazendo, daí eu acabo entrando nessas.

porque veja bem, eu sempre preciso ser entretida por gente interessante e que me traga coisas novas, ou que discuta bem comigo sobre as coisas que eu gosto. e já faz um tempo que eu não sinto muito isso vindo dos meus amigos de lá. na real alguns tão se tornando coisas das quais eu prefiro estar longe.

mas não sei bem onde encontrar grupos novos. os mais promissores que eu me dispus a achar no pouco tempo que eu passei solteira se dissiparam antes de tomar forma. eu to meio cansada, de saco cheio do que me rodeia, e acho que é por causa disso que o facebook todo me parece tão sedutor. eu quero fazer parte de algo que, vamos lá, eu "admire" e queira apresentar pros meus outros amigos. não de um grupo que eu vejo se desmanchar e/ou se distanciar de quem eu sou.

daí que eu acho bem difícil começar de novo agora, no meu último ano de faculdade, quando eu já tenho lá minha fama de biq-anti-social e quando eu já sei que eu vou achar um saco a devastadora maioria das pessoas que eu posso conhecer. ou eu acho que vai ser assim. na real isso é só mais uma desculpa pra não tentar, de novo. acho que no fim essas desculpas é que são o meu problema.