sábado, 8 de outubro de 2016

duas

é aquele limiar estranho entre o altruísmo e o egoísmo. me fazem algo de ruim. eu sofro de um jeito que eu não consigo lidar. eu faço algo ruim. "pior". agora a culpa é minha. agora eu também caguei.

por que eu quero ter a culpa pra mim? eu lido melhor com "ser ruim" do que com ter de me impor. mas se eu aceito tanto a culpa como minha, como pode ser que eu ainda fuja dos meus problemas? de enfrentá-los? como eu quero fugir da culpa e dos conflitos ao mesmo tempo?

por isso que eu acho que eu só quero a culpa quando, na verdade, ela não é minha. eu não quero a culpa, eu só quero o drama. eu não faço algo pior, eu faço algo bem tranquilo e começo a dar um enfoque ridículo e desnecessário como se eu realmente achasse aquilo ou como se realmente importasse pra mim. eu crio uma cena. eu faço parecer que eu to sofrendo muito, só pra reverter a situação. pra pessoa se sentir mal por mim. pra ela ficar com pena. pra ela me falar que não é bem assim, que é exagero, que eu não me preocupe. eu quero ser a pessoa que sofre.

mas qual o objetivo disso? só tirar a atenção ruim de cima da pessoa pra ela mesma esquecer a discussão em que ela cagou comigo? ou pra eu esquecer? ou só pra eu ser cuidada? só pra ser o centro das atenções?

por que eu faço tanta questão de que saibam que eu to sofrendo? por que eu sofro tanto? algumas coisas são mesmo só uma cena, só eu inventando que me preocupo com algo para o qual não dou a mínima na real, mas muitas vezes eu sinto mesmo que eu que fodi as coisas. isso sempre quando a culpa não é minha.

porque dai, quando a culpa DE FATO é minha, eu desmorono. eu perco total capacidade de reação. eu não consigo pensar em nenhuma resolução a não ser voltar no tempo. e eu só me torturo com idealizações de mundos em que as coisas acontecerem diferente, e esqueço que tenho um mundo real pra resolver.