quarta-feira, 25 de julho de 2018

homesick

esse negócio de mudar de casa tá mexendo comigo mais do que eu gosto de admitir. tá mexendo porque mexe em muita coisa para além do prático, para além do simples fato de estar indo morar em um lugar novo. tá mexendo porque encosta na grande maioria das minhas questões atuais. tá mexendo porque eu tenho isso de significar tudo o tempo todo, de me relacionar emocionalmente com minhas coisas materiais, porque eu tenho esse apego com umas besteras que eu nunca vi direito ninguém ter parecido.

eu tenho alguns argumentos de futuras saudades e o primeiro deles é a janela. eu não consigo contar o número de vezes em que estive deitada nessa cama, nesse cantinho, olhando pro céu por fora dessa janela e sentindo que tudo era meu. toda a tristeza, toda a frustração, todo o reconhecimento, toda a aceitação, todo o tempo. tudo meu e de mais ninguém. essa sensação de olhar pra fora e não enxergar uma pessoa sequer. a minha luz do sol favorita que por acaso encosta exatamente no meu lugar. a luz azul da lua que quando cheia me acorda por volta das duas da manhã. as árvores que balançam com o vento e com a chuva. os pássaros que pousam na antena da casa do lado. (as maritacas que são um inferno.) todas as vezes em que eu me senti tão em paz deitada sozinha, sabendo que ninguém iria chegar. todas as tardes preguiçosas.

o quanto eu adoro o silêncio dessa casa. os fins de semana na casa vazia. o pouco tempo que eu efetivamente passei no quintal (e que por serem poucas vezes talvez signifiquem tanto).

[rascunho]

terça-feira, 26 de junho de 2018

perda

ainda dói muito
ainda dói fundo
mas talvez o que mais doa
seja saber que
pode ser que nunca pare de doer

quinta-feira, 8 de março de 2018

eu eu eu eu eu eu

eu sempre vou querer ser algo que eu não sou
eu sempre vou estar presa dentro de mim
porque pra mim parece que não existe muita coisa além disso, parece que não tem como existir. talvez o labirinto que eu tracei pra mim mesma aqui dentro seja tão bifurcado pra mim que eu não consigo sair, e enquanto eu não sair eu não vou enxergar a luz do que existe pra fora dele. e eu não consigo fazer existir nada além de mim mesma

daí eu crio essa imagem de que tudo aqui é tão grande mas na real nem é grandes bosta. tem umas coisas que parecem tão complexas e tão profundas mas na real é um monte de baboseira. nada é tão difícil aqui, eu só quero acreditar que seja pra me fazer mais interessante pra mim mesma porque se eu não sentir isso eu vou deixar de ver sentido na vida e não vou ter muito mais pelo que esperar

eu queria estar fazendo muito mais só que eu meio que não tenho recursos, nem tudo é só culpa minha (quase nada é só culpa minha) mas eu percebo o que não é e mesmo assim não consigo fazer ser diferente;

é sempre muito difícil separar o que é intrínseco de mim e o que na verdade até dá pra mudar. eu queria uma ajuda de mim mesma mas parece que não tem muito de onde tirar

daí eu só falo de mim e eu só penso em mim e eu não gosto muito de viver dentro desse egocentrismo mas por onde é que sai?