não diria que eu tenho medo de morrer, mas o passar do tempo em si é algo que me apavora e me afeta de um jeito bem mais radical do que eu sou capaz de lidar.
pra mim é simplesmente exaustivo ter que olhar pra frente e considerar tudo o que ainda tem por vir. não sei até onde isso é ou não frescura, mas eu tenho medo pra caralho da vida que me espera. das pessoas com quem terei de lidar, das responsabilidades que vão cair sobre mim, de precisar stand for myself (tentei muito encontrar um equivalente em português mas tá foda) e da possibilidade de eventualmente acabar, de fato, ficando só eu por mim mesma.
eu não quero estar sozinha, não quero ser meu próprio apoio. não quero eventualmente perceber que não tenho muitas pessoas com quem eu possa e queira contar. e quando eu olho pra forma como eu tenho agido agora, parece bastante provável que eu acabe me tornando uma pessoa muito mais solitária do que me parece saudável.
não tenho certeza ainda se meu problema é não gostar muito de muitas pessoas, ou não saber tolerar as características que me incomodam em cada um, ou se eu só to criando uma ilusão de que todos estão longe mas na verdade eu tenho, sim, ótimas pessoas ao meu redor. a questão é que eu me sinto tão sozinha e tão impenetrável, por mais que eu tenha uma personalidade até que transparente. não é mais um problema pra mim contar qualquer história que seja pra uma pessoa, consigo falar o que aconteceu e como me afetou. só não tenho a mínima vontade, segurança, capacidade, whatever de conversar sobre o que eu sinto comigo mesma. tipo, de falar por que eu to mal quando o mal surgiu de mim.
e nisso eu fico com a impressão de que ninguém me conhece realmente. nem um pouco. ninguém tem noção de como eu to o tempo todo com alguma coisa que nem eu sei o que é entalada, me impedindo de deixar tudo fluir naturalmente. de como interações sociais podem ser absurdamente cansativas, porque eu me sinto forjando uma personalidade que não é minha pra cada pessoa com quem eu falo.
a perspectiva de ter uma vida, um emprego, uma casa já é horrível o suficiente. mas pode ser pior ainda quando você acha que provavelmente vai fazer tudo isso sem ajuda, seja por não ter pra quem pedir ajuda ou por não saber admitir que a ajuda é necessária.
eu não quero, não quero ter que lidar com isso. não quero. podem dar o nome que acharem mais conveniente, podem me acusar de mimada, de covarde, que seja. eu to simplesmente assustada demais pra conseguir raciocinar qualquer coisa a respeito. não, de morrer não tenho medo. até porque, dramas à parte, parece bem melhor que isso aconteça o quanto antes.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
sábado, 1 de novembro de 2014
distância segura
acabei de reparar em 01 coisa um tanto quanto interessante pela primeira vez.
sempre fui meio ciumenta ou egoísta (call it what you want) em relação a amigos meus. sempre ficava boladíssima quando alguém que eu gostava muito me "trocava" por outra pessoa. e esse "trocar" nem precisava ser definitivo, às vezes era só tipo convidar outra pessoa e não eu pra, sei lá, ir comprar um lanche na cantina. e quando eu digo que eu ficava boladíssima eu realmente quero dizer isso -- sempre me dava uns sentimentos muito muito muito ruins e dava vontade de não olhar na cara do amigo em questão por algum tempo. coisa que eu nunca fazia, anyway; no fim das contas eu sempre fingia que eu tava de boa, fosse por vergonha ou por medinhos de criar conflitos.
aí isso meio que acabou de uns tempos pra cá, mudança que eu tinha associado a um certo grau maior de maturidade. faz um bom tempo que não sinto esses ciuminhos por ninguém e em relação a ninguém. aí reparei que as últimas vezes em que senti isso de forma frequente foi no terceiro ano do ensino médio, e depois foi parando gradualmente.
claro que desde que eu fui embora de são josé e vim morar em campinas mudou muita coisa na minha vida e não tenho dúvidas de que de fato tá sendo uma fase de bastante amadurecimento. mas parando pra pensar não sei direito se nesse aspecto eu realmente cresci ou se só não sinto mais essas besteiras todas por falta de oportunidade.
porque vai, toda minha vida eu tinha um grupo de amigos e, dentre eles, um ou dois eram muito mais próximos de mim. então quando um desses muito mais próximos se aproximava de um terceiro, eu surtava.
aí agora eu meio que só tenho o grupo de amigos. to com essa impressão muito forte de que não cheguei próximo o suficiente de ninguém pra dar espaço a um "melhor amigo" na minha vida atual [jacques não conta porque o nível de segurança que ele me passa faz com que não surjam tais preocupações]. e se eu não tenho isso, não tem de quem sentir ciúme. não fui eu que amadureci porra nenhuma, eu só não tenho mais as condições necessárias pra agir que nem uma imbecil.
e aí eu não sei se sinto falta de antes, pelas proximidades maiores, ou se fico feliz por agora, em que eu não tenho mais crises exageradamente enormes por algo tão insignificante.
ou se eu me preocupo com o fato de achar que eu funciono melhor tendo várias pessoas por perto, mas sem deixar nenhuma perto o suficiente pra me fazer chegar a esse ponto.
sempre fui meio ciumenta ou egoísta (call it what you want) em relação a amigos meus. sempre ficava boladíssima quando alguém que eu gostava muito me "trocava" por outra pessoa. e esse "trocar" nem precisava ser definitivo, às vezes era só tipo convidar outra pessoa e não eu pra, sei lá, ir comprar um lanche na cantina. e quando eu digo que eu ficava boladíssima eu realmente quero dizer isso -- sempre me dava uns sentimentos muito muito muito ruins e dava vontade de não olhar na cara do amigo em questão por algum tempo. coisa que eu nunca fazia, anyway; no fim das contas eu sempre fingia que eu tava de boa, fosse por vergonha ou por medinhos de criar conflitos.
aí isso meio que acabou de uns tempos pra cá, mudança que eu tinha associado a um certo grau maior de maturidade. faz um bom tempo que não sinto esses ciuminhos por ninguém e em relação a ninguém. aí reparei que as últimas vezes em que senti isso de forma frequente foi no terceiro ano do ensino médio, e depois foi parando gradualmente.
claro que desde que eu fui embora de são josé e vim morar em campinas mudou muita coisa na minha vida e não tenho dúvidas de que de fato tá sendo uma fase de bastante amadurecimento. mas parando pra pensar não sei direito se nesse aspecto eu realmente cresci ou se só não sinto mais essas besteiras todas por falta de oportunidade.
porque vai, toda minha vida eu tinha um grupo de amigos e, dentre eles, um ou dois eram muito mais próximos de mim. então quando um desses muito mais próximos se aproximava de um terceiro, eu surtava.
aí agora eu meio que só tenho o grupo de amigos. to com essa impressão muito forte de que não cheguei próximo o suficiente de ninguém pra dar espaço a um "melhor amigo" na minha vida atual [jacques não conta porque o nível de segurança que ele me passa faz com que não surjam tais preocupações]. e se eu não tenho isso, não tem de quem sentir ciúme. não fui eu que amadureci porra nenhuma, eu só não tenho mais as condições necessárias pra agir que nem uma imbecil.
e aí eu não sei se sinto falta de antes, pelas proximidades maiores, ou se fico feliz por agora, em que eu não tenho mais crises exageradamente enormes por algo tão insignificante.
ou se eu me preocupo com o fato de achar que eu funciono melhor tendo várias pessoas por perto, mas sem deixar nenhuma perto o suficiente pra me fazer chegar a esse ponto.
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