quinta-feira, 21 de maio de 2015

vinculado

é bem ruim sentir essa falta assim, do nada
é ruim pensar que posso estar fazendo algo que te decepcione
é ruim sentir que (já) estou me tornando algo diferente
algo que nenhum de nós nunca gostou
e ver que você ainda não gosta
e ver que esse é o jeito que eu achei de passar bem
--bem por alguns instantes, até eu perceber de novo a merda que eu to fazendo--
e só querer voltar a ser o que eu era antes
mas acho que eu só posso ser o que eu era antes quando eu tenho você,
e a falta que eu sinto nem é só tua
é também de quem era eu
é de quem eu ainda poderia ser

terça-feira, 12 de maio de 2015

apego e mudanças

uma das coisas mais zoadas é que minha maior vontade ainda é te pedir, te implorar pra não ir embora, pra não se deixar levar pra longe de mim no fim das contas. é engraçado como em tão pouco tempo tanta coisa já mudou, inclusive alguns sentimentos, mas cada vez mais aparecem na minha frente mil razões pra que o medo do nunca mais me aflija. e nem necessariamente do nunca mais com você; a espera por qualquer coisa parecida, que me cause uma sensação tão boa e de tamanha segurança, às vezes parece insuportável.

agora tudo é inquieto, cada instante é uma dúvida. cada atitude é incerta e cada interação é um risco. esse novo mundo está repleto de interrogações, que surgem até mesmo em lugares onde antes haviam pontos finais. e lidar com isso o tempo todo é exaustivo. fica constante a preocupação e a vontade de voltar atrás, porque no balanço geral essa decisão já me parece uma enorme babaquice.

talvez a maior dor seja saber que isso tudo é necessário e que, se não acontecer, nada vai mudar. nada vai melhorar. e correr riscos pra conseguir chegar a algo melhor, que talvez acabe nem chegando, isso eu posso lhes dizer que é uma bosta.

sábado, 9 de maio de 2015

bruises

tava bem complicado entender como que eu, logo eu, logo essa minha cabeça cheia de todos aqueles pensamentos, estava tendo tanto trabalho pra lidar com algo que nunca pareceu nenhum mistério.

logo eu, que sabia por onde ir e o que sentir. eu que sentia falta da solidão, da independência, da liberdade, das coisas novas. eu que olhava com otimismo pras músicas tristes, porque sabia que conseguiria lidar com aqueles sentimentos de forma muito melhor do que todos pareciam fazer.
eu me encontrei perdida, confusa. me deparei com um muro de vazio e impotência, que acabou por me deixar estagnada e isolada. logo eu, agora fujo de todo tipo de contato com quaisquer versos e melodias que possam me alcançar.

lidar com situações difíceis pode ser ainda mais difícil quando parecia ser bem menos difícil do que realmente é.

acabei percebendo que a diferença entre previsões e realidade vem pura e simplesmente da minha projeção em cima de tudo que estava ao meu redor. antes, antes todo o resto parecia fácil. antes o resto era bom. não havia grandes problemas ou coisas fora do lugar. era tão receptivo, tão confortável, tão acolhedor. antes não haveria problemas quando viesse o depois.

mas com o depois alguma lente se estilhaçou, e todas as minhas vizinhanças mudaram de estação. não sei o quanto disso foi culpa minha; também não sei se minha culpa é ter projetado antes ou estar projetando agora. ou talvez dar uma abertura menor do que a necessária. só sei que os buracos abertos não serão tão facilmente preenchidos quanto eu achei que fossem ser.

mas eu tenho tanto a fazer, tanto a experimentar. não acho que haja muito mais coisas que eu queira explorar na minha realidade. minha vontade é a de criar relações novas. e não era esse o objetivo? só preciso aprender onde buscá-las e como cultivá-las. e resta apenas o medo de que nem elas sejam capazes de expulsar esse inesperado, porém inevitável, vazio.