terça-feira, 7 de junho de 2016

frágil

eu nunca pedi pra existir. eu não quis, não gosto, não escolhi. mas se eu não existia, quem era eu pra decidir? quando eu não existir mais o sofrimento todo vai embora? porque meu medo não é do que vem depois, é simplesmente de haver um depois. de o não existir ser apenas o fim da passagem do espaço-tempo e eu apenas ficar presa no último momento. por mais que estando presa nele eu nunca vou saber que tem alguma coisa diferente acontecendo. até porque, tem alguma coisa acontecendo?

não, meu desejo não é morrer. meus pensamentos e minhas ânsias não são suicidas. eu só quero que a existência passe o mais rápido possível e que eu possa chegar logo na fase da inconsciência, porque às vezes se torna muito difícil ter que ser. saber que ainda tenho ANOS pela frente. controlar esse agrupamento de matéria que eu reconheço como meu corpo e fazer qualquer coisa insignificante pra manter minha vida e a das pessoas ao meu redor. conviver com vários outros "eus", várias outras consciências que parecem não ter fundamento nenhum pra existir, e fazer coisas extremamente efêmeras pra sentir alguma coisa enquanto somos conscientes, enquanto estamos vivos.

mas o "eu" é frágil demais pra ser real.

não que tudo seja um sonho, não que estejamos na matriz. mas é só um bando de reações e sinapses, talvez com algum toque divino, se você assim preferir, que existem em um planeta dentre infinitos durante alguns milênios dentre milhões de todos aqueles que podem existir. e é claro que a gente se diverte, que fazemos dessa existência a mais repleta que podemos, pra que nossa passagem tenha significado pro universo que é cada um de nós, já que tudo que existe pra mim está contido em mim, na minha capacidade de entender e aprender, no meu tempo e no meu espaço de atuação.

mas poxa vida, não parece que nada disso é importante? não parece besteira ver tanta merda, ouvir tanta merda, saber que existe tanta merda, pra no fim só deixar de existir? sendo que deixar de existir é tão fácil, sendo que a vida é tão frágil. não dá só uma vontade de que tudo isso simplesmente passe de uma vez?