quarta-feira, 25 de julho de 2018

homesick

esse negócio de mudar de casa tá mexendo comigo mais do que eu gosto de admitir. tá mexendo porque mexe em muita coisa para além do prático, para além do simples fato de estar indo morar em um lugar novo. tá mexendo porque encosta na grande maioria das minhas questões atuais. tá mexendo porque eu tenho isso de significar tudo o tempo todo, de me relacionar emocionalmente com minhas coisas materiais, porque eu tenho esse apego com umas besteras que eu nunca vi direito ninguém ter parecido.

eu tenho alguns argumentos de futuras saudades e o primeiro deles é a janela. eu não consigo contar o número de vezes em que estive deitada nessa cama, nesse cantinho, olhando pro céu por fora dessa janela e sentindo que tudo era meu. toda a tristeza, toda a frustração, todo o reconhecimento, toda a aceitação, todo o tempo. tudo meu e de mais ninguém. essa sensação de olhar pra fora e não enxergar uma pessoa sequer. a minha luz do sol favorita que por acaso encosta exatamente no meu lugar. a luz azul da lua que quando cheia me acorda por volta das duas da manhã. as árvores que balançam com o vento e com a chuva. os pássaros que pousam na antena da casa do lado. (as maritacas que são um inferno.) todas as vezes em que eu me senti tão em paz deitada sozinha, sabendo que ninguém iria chegar. todas as tardes preguiçosas.

o quanto eu adoro o silêncio dessa casa. os fins de semana na casa vazia. o pouco tempo que eu efetivamente passei no quintal (e que por serem poucas vezes talvez signifiquem tanto).

[rascunho]