quarta-feira, 29 de junho de 2016

completude

to pensando que talvez minha sensação de vazio e de inutilidade e de falta de identidade tenha a ver com o quanto eu me acho responsável por ajudar os outros.

não, eu nunca me fiz disponível pros meus amigos, eu nunca fui a pessoa que estaria lá sempre que necessário. mas não tanto por egoísmo quanto por exaustão. acho que às vezes eu to tão triste que não existem forças pra ouvir e confortar e aconselhar e lidar. e às vezes eu só não faço ideia de como poderia ajudar tal pessoa ou em tal situação. mas isso também no que se trata de ajuda emocional, no qual eu sempre tive um bloqueio -- em ajudas práticas eu sempre sou a primeira a me oferecer.

aí talvez eu tenha criado uma personalidade baseada em apoiar outra(s) pessoa(s). em geral, uma de cada vez por períodos grandes ou curtos. eu me moldo aos gostos e crenças, eu ganho confiança e simpatia e quando me sinto segura vou moldando aos poucos, contornando o que acho que deve ser mudado, reparando pequenos problemas que encontro e transformando aquela vida em uma que me pareça ser melhor pra própria pessoa e pras que estão ao redor dela. eu me infiltro nos pequenos mundos pra torná-los melhores fazendo pequenas correções de um jeito que ninguém se sinta agredido. eu mudo a minha zona de conforto pra que ninguém tenha que sair da sua e consiga melhorar dentro dela.

eu sou um parasitinha que quer mudar as coisas uma por uma sem grandes conflitos. e eu espero estar fazendo algo bom dentro do possível.

mas no meio disso eu esqueço um pouco de existir por mim, de manter alguma autenticidade. eu sou tão mutável pelos outros que às vezes esqueço de ser eu. e isso me traz um vazio existencial porque frequentemente parece que não tem nada aqui dentro, que eu não vivo por mim.

mas ao mesmo tempo eu vou juntando meus pedacinhos com o que aprendo com os outros. pode nem sempre haver muita autenticidade pessoal, mas mantenho meus princípios bem montados e coerentes, reconstruindo sempre que necessário.

minhas relações são, portanto, muito baseadas em trocas. mesmo quando ninguém me oferece nada, dá pra absorver por observação.

mas a questão principal disso tudo é: como eu vou estar com alguém que já é completo? como vou me relacionar com uma pessoa que aprendeu tudo que poderia aprender? e quando eu estiver esgotada, e quando minha "missão" for cumprida? eu tenho tanta necessidade de ser útil que, quando não me sinto mais assim, me parece que a relação acabou. que não tem mais pra onde ir. eu não vejo mais sentido, eu fico insatisfeita e me sinto um pedaço de nada. eu só consigo me sentir amada enquanto me sinto necessária.

e quando isso acontecer? como eu vou fazer pra conseguir continuar?

quarta-feira, 22 de junho de 2016

stalker

por que eu gosto tanto de fuçar nas redes sociais de pessoas que nem necessariamente me interessam?

não sei

talvez seja porque eu gosto muito de saber das histórias dos outros, das experiências que tiveram, e isso tudo só tá estampado de forma crua e real* no momento em que a publicação foi feita e qualquer versão que me contem é enviesada ou adulterada ou infectada por emoções posteriores

*notem aqui que por real eu quero dizer a forma como a pessoa escolheu ilustrar o momento, e não como o momento de fato aconteceu, porque sabemos muito bem o quão manipulável é a imagem que publicamos

talvez seja porque eu gosto de procurar evidências de histórias mal contadas ou não contadas e de desenvolver minhas próprias visões sobre as particularidades dos outros, que podem ou não podem vir a ser confirmadas depois

talvez também eu queira descobrir algo que eu nunca descobriria de outra forma porque a pessoa simplesmente nunca falaria sobre aquilo comigo

talvez eu tenha certeza de que (a não ser que a pessoa tenha esquecido completamente de apagar) tudo que alguém posta na rede e deixa acessível na rede é sim pra ser visto, é sim pra ser lido, seja por quem for ou quando for, tenha ela ciência disso futuramente ou não. vide este blog cuja existência não comento com ninguém mas, bom, tá aqui aberto ao público só esperando um clickzinho

talvez eu só seja curiosa pra caralho mesmo, talvez muita gente se incomodasse se soubesse o quão fundo eu já posso ter ido em uma página do instagram ou do facebook. talvez eu perca way too much tempo com isso. mas no fim eu não tenho dúvidas de que a internet é pública e eu não to usando nada para o ~mal~, e que se foda o quão idiota isso seja, eu gosto muito de ver as coisas que as pessoas escolhem compartilhar das suas vidas.

então é, tenham como esta minha declaração assinada de stalker.

domingo, 19 de junho de 2016

juras

eu tenho que _______
eu vou parar de _______
eu deveria _______
eu tinha que _______
eu não vou mais _______
eu poderia _______
eu precisava _______
eu gostaria de _______
eu vou começar a _______

e assim se passou uma vida inteira

terça-feira, 7 de junho de 2016

frágil

eu nunca pedi pra existir. eu não quis, não gosto, não escolhi. mas se eu não existia, quem era eu pra decidir? quando eu não existir mais o sofrimento todo vai embora? porque meu medo não é do que vem depois, é simplesmente de haver um depois. de o não existir ser apenas o fim da passagem do espaço-tempo e eu apenas ficar presa no último momento. por mais que estando presa nele eu nunca vou saber que tem alguma coisa diferente acontecendo. até porque, tem alguma coisa acontecendo?

não, meu desejo não é morrer. meus pensamentos e minhas ânsias não são suicidas. eu só quero que a existência passe o mais rápido possível e que eu possa chegar logo na fase da inconsciência, porque às vezes se torna muito difícil ter que ser. saber que ainda tenho ANOS pela frente. controlar esse agrupamento de matéria que eu reconheço como meu corpo e fazer qualquer coisa insignificante pra manter minha vida e a das pessoas ao meu redor. conviver com vários outros "eus", várias outras consciências que parecem não ter fundamento nenhum pra existir, e fazer coisas extremamente efêmeras pra sentir alguma coisa enquanto somos conscientes, enquanto estamos vivos.

mas o "eu" é frágil demais pra ser real.

não que tudo seja um sonho, não que estejamos na matriz. mas é só um bando de reações e sinapses, talvez com algum toque divino, se você assim preferir, que existem em um planeta dentre infinitos durante alguns milênios dentre milhões de todos aqueles que podem existir. e é claro que a gente se diverte, que fazemos dessa existência a mais repleta que podemos, pra que nossa passagem tenha significado pro universo que é cada um de nós, já que tudo que existe pra mim está contido em mim, na minha capacidade de entender e aprender, no meu tempo e no meu espaço de atuação.

mas poxa vida, não parece que nada disso é importante? não parece besteira ver tanta merda, ouvir tanta merda, saber que existe tanta merda, pra no fim só deixar de existir? sendo que deixar de existir é tão fácil, sendo que a vida é tão frágil. não dá só uma vontade de que tudo isso simplesmente passe de uma vez?