quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
carta pra enviar algum dia
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
sobre querer ser importante
isso ainda tá bem incrustado em mim, mesmo que eu já tenha melhorado bastante minha confiança e já consiga me deixar fazer algumas das coisas que eu quero fazer. ainda me sinto um tanto imbecil quando por impulso ou por álcool começo a me destacar e tacar o foda-se em algum evento social. mas pelo menos agora eu sei que tenho a capacidade de conversar com alguém pela primeira vez sem o desespero de sentir que eu não sou nem um pouco interessante e que não tenho nada a acrescentar na conversa. consigo até que escapar bem de silêncios constrangedores sem me sentir constrangida e achar engraçadinhas as piadas e brincadeiras que eu mesma faço. acho, sim, que tenho uma personalidade bacaninha e que se não gostam de mim não é realmente culpa minha. as inseguranças que rolam hoje em dia se baseiam em não ter um grupo de amigos maior ou mais diversificado.
só que mesmo acreditando no meu potencial de fazer amizades, ou de pelo menos conversar com pessoas que fazem parte do meu dia a dia mas não são necessariamente amigos, eu ainda não faço isso. acontece que eu to no mesmo ambiente da faculdade há quatro anos e nunca falei muito com ninguém além dos meus amigos do meu ano e das pessoas que moram comigo. daí parece esquisito demais eu começar a fazer parte de outros grupos que tavam lá ao meu redor todo dia e eu aparentemente nunca dei a mínima. não sei como começar de novo relações que eu já viciei em serem de certo jeito. acho que agora é essa barreira que eu tenho que transpassar.
de qualquer jeito, eu percebi também que minha vontade nunca foi exatamente só me encaixar. acho que eu sempre quis me destacar nos meios dos quais eu não participava. eu não queria ser mais uma, queria ser diferente do que todos já eram. queria trazer algo novo e ser a única a fazer isso. e isso sempre fez eu me sentir egocêntrica. eu argumentava sozinha que tinha a ver com eu não gostar realmente do jeito que aquelas pessoas eram e querer entrar no mundo delas sem me alinhar, e não com querer ser o centro das atenções. mas é mentira. porque quando surgia alguém parecido comigo, que tinha "autenticidades" parecidas com as minhas, eu não começava automaticamente a gostar da pessoa. ia mais pra uma raivinha por ela estar fazendo o mesmo que eu.
no fim, meu desejo de ser diferente pra ser aceita não passava de uma tentativa forçada de ser especial. e é algo que mexe comigo até hoje. porque é, sim, muito legal pensar que só você é capaz de fazer alguém sentir tal coisa ou ter tal reação. não só em relações românticas. eu mesma me encarrego de dar pequenos títulos exclusivos pra todas as pessoas que gosto dentro da minha cabeça: tenho aquela pessoa que é ótima em trocadilhos, aquela que adoro conversar com sobre filmes, a pessoa que indica músicas, a que eu poderia ouvir falar por horas. então eu quero ser a ganhadora de pequeninos prêmios na vida de todo mundo também, oras.
mas o importante é que eu aprendi a deixar que as coisas que me fazem única saiam involuntariamente. não faz sentido me esforçar pra fazer de mim alguém interessante. não preciso ser melhor do que alguém pra me destacar. todos nós podemos ter nossos espaços sem que ninguém precise ficar por cima de ninguém. podemos, sim, ser especiais sem ser únicos.
não sei como concluir porque nem sei por que comecei a escrever esse texto de auto-ajuda, sei lá, devo estar em um dia otimista talvez. mas é isso: acho que gosto muito mais de mim hoje do que eu gostava uns cinco anos atrás. sei lá, quanto mais eu deixo transparecer sem medinhos as coisas que são naturalmente minhas, melhor eu aceito a mim mesma e aprendo a controlar o que eu não curto. sabe, a gente não melhora se a gente não se der oportunidade e/ou se ficar pra sempre mirando naquilo/naqueles que gostaríamos de ser.
sábado, 13 de fevereiro de 2016
perdas
meu maior defeito é não saber lidar com frustrações. não passei por muitas na minha vida, tudo acabava se encaixando e os episódios que poderiam ser mais traumáticos eu sempre blindei. nunca aprendi a trabalhar sobre as coisas ruins e simplesmente aceitar que elas acontecem mesmo, e não só com os outros. minha reação a frustrações é, inevitavelmente, encontrar um jeito de me culpar pelo que aconteceu. mesmo que não tenha nenhum sentido lógico, sempre acho um jeito de me covencer de que eu causei a situação. é um processo destrutivo e muitas vezes incontrolável.
daí que, pra mim, perdas beiram o insuportável. qualquer tipo delas. me angustia um elástico de cabelo destroçado por um gato, uma meia sem par, um lápis quebrado ao meio. mas claro que as perdas de coisas mais significativas pesam mais, podendo tumultuar minha cabeça por meses a fio.
to escrevendo isso porque, principalmente nos últimos dias, não consigo parar de pensar no iminente fim da faculdade. eu vejo os bixos sendo aprovados e comemorando e só consigo pensar em como eu entrei daquele mesmo jeito, trazendo no bolso uma vitória recém conquistada e uma liberdade de não ter que fazer mais grandes escolhas por algum tempo. uma sensação de "vida temporariamente resolvida". e vejo como pra mim esse período inteiro já acabou. cada vez menos matérias, cada vez mais preocupações reais. os que estão entrando já são quase novos demais pra mim, e eu não tenho mais pela frente esse mundo de bolha que é a universidade. esse catálogo de pessoas parecidas com você: mesma faixa etária, pensamentos divergentes mas ainda assim dentro de uma mesma esfera, poucas surpresas, tudo se encaixando em esteriótipos já bem conhecidos. várias páginas praticamente em branco. ninguém com muito compromisso com ninguém.
é difícil partir disso pra um mundo competitivo, onde trabalhar juntos realmente significa isso. ações com consequências reais e perigosas não só pra você. o término do aprendizado como principal atividade, passando a ser quase que um hobby e não mais uma obrigação.
e eu me vejo saindo daquela casa, indo pra longe das festas inconsequentes, da leveza de só reclamar sobre namorados e professores. me deparo com um potencial problema financeiro, com não ter certeza se vai ou nào ter como me virar no próximo mês, nos próximos anos. com o quanto vai ser difícil me mexer depois de 20 anos parada. com o jeito que eu me sinto incapaz de lutar por algo necessário e desejado. com como eu preciso ter tudo bem resolvido e pré determinado para não desmoronar.
porque é isso, me sinto desmoronando. não parece haver saída razoável, não há grandes coisas no mundo que me façam achar que viver nele valha a pena. não enquanto todos correm atrás de uma mesma coisa ao mesmo tempo. não vendo mil pessoas entrarem na faculdade todo ano pra todos se formarem e arranjarem um emprego e fazerem parte dessa maquininha em que ninguém tem finalidade própria, só estão andando na direção de um novo caminho. ninguém nunca para, mas ninguém chega a um destino. e eu, preguiçosa e desesperada como sempre fui, só queria saber que chegarei a algum lugar.