terça-feira, 8 de julho de 2014

down in my soul

acho que todo mundo é muito cheio de coisas que tem vergonha/medo/sei lá de admitir, até porque muita coisa que a gente pensa/deseja não deveria ser pensada/desejada uma vez que pode machucar alguém com quem a gente se importa

quer dizer, na verdade talvez nem devesse machucar, talvez sejam só imposições que a gente aceitou que machucam a gente mas na verdade não passam de ideologias muito encrustadas no âmago do nosso ser IOGJKASLR EU FALEI ENCRUSTADA AÍ ACHEI QUE ESSA PALAVRA MERECIA UM FIM DE FRASE DIGNO

e essa última parte eu só percebi depois que não tava mais namorando com o léo, porque por mais que eu não fizesse absolutamente nada que pudesse magoá-lo, eu ficava sempre medindo palavras, já que grande parte das coisas virava um enorme mal entendido.

ANTES DE TUDO: não to culpando o menino por nada, só acho que era meio incompatível. agora que eu to com o jacques eu percebi que o melhor tipo de relacionamento pra mim é um em que não haja ciúmes, ou que tenha o mínimo possível. ou melhor: um em que não haja desconfiança. é engraçado como me faz bem eu poder falar sobre praticamente qualquer coisa de qualquer jeito com o jacques sem chateá-lo, e que eu possa sair e beber e fazer o que eu quiser sem ele porque ele sabe muito bem que eu não vou escrotizar o negócio.

porém, meu ponto inicial nisso tudo era que ainda acho que tem algumas coisas que eu sinto esporadicamente que fazem eu me sentir mal por sentir, que eu acho que eu não deveria estar sentindo, por mais que eu saiba que não tem problema nenhum desde que isso não prejudique ninguém (e não vai prejudicar).

mas enfim, minha questão é a seguinte: desde que eu era bem pequena, desde que comecei a me preocupar com meninos e desde que eu comecei a pensar sobre como seria ter um namorado, todas as cenas que me vinham na cabeça eram de como a amizade (ou o flerte, enfim) progrediu até que culminasse em um beijo.
ou de como tudo aconteceu até que chegasse em sexo.
ou de como tudo aconteceu até que chegasse em um término.
basicamente, eu só ficava lá retardadinha imaginando os momentos fisicamente cruciais, os pontos de maiores emoções, e isso meio que ficou um pouco até hoje.

acho que o principal motivo de eu ficar tão bobinha e satisfeita vendo filme pseudo-romântico, com drama adolescente e tudo o mais, é que esses filmes sempre mostram só esse tipo de coisa. ninguém tá afim de ficar filmando o namoro dos caras entre o primeiro e o quinto ano. eles tem que pegar o comecinho, quando eles ainda não se gostam, quando o sentimento vai se desenvolvendo, quando um tá gostando do outro mas nenhum quer admitir por medo de não ser correspondido, quando eles começam a se dar sinais, quando começa a rolar uns climinhas, quando os dois estão pensando seriamente em tacar o foda-se e ficar com o outro, quando você vê que os dois tão num conflito interno muito grande, quando as respirações ficam descompassadas, essas besteiras todas.

e, cara, digam o que quiserem, mas essa é a uma das melhores coisas do relacionamento. juro que pra mim é bem difícil superar. claro que no quesito emoção. com certeza é muito bom você conhecer a pessoa tão bem que nem precisa perguntar pra saber o que ela tá sentindo, o que ela quer de você e tal. mas tem um negócio muito mágico no processo de começar a conhecer a pessoa, de começar a ter um tipo de contato diferente com ela, de ficar com aqueles friozinhos na barriga quando você sabe que vai vê-la em breve, de subir pro seu quarto depois de ter estado com ela e não conseguir tirar o sorriso retardado da cara até o momento em que você pega no sono. e por mais que grande parte disso seja reproduzível em outras situações que não no começo do namoro, sei lá, nunca é tão intenso quanto era.

e é exatamente aí que se fundamenta toda essa minha "obsessão" por essa vontadezinha escondida lá no fundo de estar solteira, mesmo que esteja tudo fluindo extremamente bem no meu namoro. é isso que me faz pensar que talvez eu conseguisse lidar com uma vida cheia de começos e fins, mas com poucos meios. é aí que eu entendo a galera que fala "ain mas credo ficar com a mesma pessoa por mais de um ano". é aí que eu acho que eu até que conseguiria lidar bem com essa história de ~ficar~ e etc e tal, que eu com meus 19 aninhos nas costas nunca vivenciei.

e isso é algo que eu descobri em mim mesma só bem ultimamente. ainda não tenho certeza se é uma maturidade desenvolvida ou só aquela clichezice de saudade do que eu nunca tive. só é uma pena que, caso seja a segunda opção, se um dia eu ficar solteira minha vida vai virar uma bosta.