domingo, 16 de fevereiro de 2014

2007

não sei se é assim com todo mundo, mas eu tenho esse negócio de lembrar das coisas em blocos de anos. é como se minha memória estivesse organizada com uma gaveta pra cada 365 dias: normalmente me lembro muito bem do que aconteceu em cada ano, por mais que às vezes eu não faça ideia de em que ordem foi. e tenho isso de guardar bem melhor as sensações, os sentimentos e os pensamentos que passaram pela minha mente do que os acontecimentos em si. também costumo associar uma situação em particular, um momento x, uma paisagem y, a cada ano da minha vida e desenvolvo as outras memórias em torno disso, já que minhas lembranças por si só são um tanto falhas.

acho que o ano me deixou mais lembranças nítidas foi 2009, o primeiro do ensino médio. tenho a impressão de que a transição de criança pra não-tão-criança aconteceu bem aí, do começo ao fim desse ano. 2008 foi meio que um pré-crescimento: mudei do período da tarde pro da manhã pela primeira vez, conheci um monte de gente e, que eu me lembre, foi por aí que eu comecei a me sentir um pouco mais grandinha. mas acho que tenho muito a falar sobre 2007, 2008 e 2009, então vou fazer um post sobre cada porque eu to afim. tá bom, também to com medo de que essas memórias acabem se perdendo pra sempre e queria deixá-las registradas. :~

2007 foi meio que um ano preferidinho da minha vida durante algum tempo. é um dos mais "definidos" de toda a época do walter pra mim, já que os anos anteriores são uma mistura esquisita por terem sido um tanto quanto parecidos: quase que os mesmos amigos, quase que as mesmas rotinas. então nesse ano a thais saiu da escola e eu fiquei meio sozinha porque, do que eu me lembro, em 2006 nós éramos bem só nós duas e acabamos nos afastando um pouco dos outros amigos que a gente tinha antes. minha imagem de 2006 é eu e ela usando bermudas azuis, eu sentada na frente dela no canto esquerdo da sala que ficava em cima do pátio coberto, e ela me mostrando letras de músicas do fresno. também lembro da gente descendo as escadas na hora do recreio e ficando horas nos fóruns do punklovers. além de algumas fanfics vergonhosas. :c

então em 2007, ainda na mesma sala (adorei que não tivesse mudado de sala, aquela era minha preferida de todo o walter (era a única com janela que dava pra rua)) aparece um menino novo na turma vindo de curitiba, todo esquisito e com cara de cu e meio quietão. chamava artur. minha primeira memória é que ele ainda não tinha comprado a apostila em uma aula de matemática, aí a professora pediu pra eu juntar minha carteira com a dele pra ele acompanhar a matéria. aí a gente tinha que fazer uns exercícios que eram muito fáceis e eu sabia as respostas de cabeça, porque era tudo muito óbvio. então tava a sala inteira em silêncio fazendo exercício e eu sentada do lado do cara novo sem saber o que fazer. aí comecei a escrever os resultados e fui falando em voz baixa mais ou menos o que eu fiz pra encontrá-los, me sentindo meio estúpida, já que ele não tinha pronunciado nenhuma palavra. eu não fazia ideia se ele era inteligente e tava achando babaca eu explicar aquilo tudo ou se ele era meio burrinho e tava me achando esnobe por fazer os exercícios tão rápido e essa situação toda me deixou extremamente desconfortável.

não sei de que jeito ou em que ponto do ano a gente ficou amigo, mas sei que ele acabou virando o rebelde sem causa da sala, que respondia os professores irreverentemente e que não queria entrar na roda de oração da aula de orientação educacional da miriam porque "era ateu" (todos riam, miriam putassa) (sim, minha escola era meio que católica demais). enfim, ele acabou ficando meio popular por ser engraçado e esquisito, e de algum jeito eu e ele ficamos bastante amigos. viramos um grupinho, eu, ele e mais uns três meninos que sempre estudaram comigo, mas nunca foram dos meus grupinhos. no intervalo das aulas a gente brincava de bandeirinha na quadra de grama usando meus tênis como bandeira. às vezes o artur jogava meus tênis pra cima pra tentar prendê-los nas telas que tinha em cima da quadra e eu achava engraçado e fingia estar puta, mas eu acho divertido ver pessoas fazendo cagadas e tendo que resolvê-las (algumas vezes meus tênis REALMENTE ficavam presos, e dava mó trampo tirar de lá). a gente também brincava de dar ombrada uns nos outros e, quando alguém caía no chão, a gente pulava em cima e o objetivo era não deixar a pessoa levantar. sim, era infinitamente divertido.

sei lá, eu acabei gostando bastante dele e acho que ele também de mim, mas hoje em dia isso me parece bem mais claro do que parecia então. eu sabia que ele era minha "pessoa preferida" na época, mas acho que nunca deixei evoluir muito esses sentimentos de amorzinho, até porque eu tinha 12 anos e seria meio esquisito. mas acho que foi minha primeira paixãozinha que não era só aquele "gostar" de criança, quando você diz que gosta de alguém mas na real não sente lá grandes coisas pelo cara. porque gente, eu "gostei" do vitor durante 5 anos antes disso, mas não lembro de ficar nervosa perto dele e de querer estar com ele o tempo todo nem nada do tipo.

daí me lembro bem de que tinha lançado o good morning revival do good charlotte e eu tava viciadassa no álbum, e como eu tinha comprado o cd original (cof cof) eu sempre levava na aula de artes e pedia pra professora colocar pra tocar enquanto a gente fazia os desenhos. aí o artur ia lá sorrateiramente e aumentava o som quando a professora não tava olhando e eu achava super bacana. essa também foi a época de pintar as capas das apostilas e fazer arte com canetas de escrever em cd e hahahahaahahaahah era tão legal, aí eu pintei a apostila do artur e escrevi na capa "anyway i am just a man", um verso de beautiful place que eu gostava muito mas não me atrevia a escrever na minha apostila porque EU ERA UMA MENINA, ORAS.

daí teve aquela excursão pra são paulo. íamos ver o museu do corpo humano, no parque do ibirapuera, se não me engano, e depois o museu da língua portuguesa. fui o caminho inteiro escutando o good morning revival, e consequentemente esse cd me lembra muito as paisagens de sp. na fila pra entrar no museu do corpo humano passou um camelô e eu comprei uma munhequeira quadriculada em preto e branco que eu sempre quis ter porque achava muito estiloso, mas aí eu abri o pacote e vi que ela era porcamente pintada e tinha um cheiro ruim. o artur ficou me enchendo o saco sobre isso e eu chateei completamente sobre a compra. mas o museu foi muito legal~ fora que foi o passeio inteiro praticamente só eu e ele, porque os outros meninos não tinham ido ou a gente se perdeu no caminho, sei lá, algo assim. o museu da língua portuguesa, naquela época, foi bem chato (voltei lá em 2009 e dessa vez foi super bacana). e acho que esse foi o primeiro momento em que eu percebi que tinha algum sentimentozinho rolando ali. no final do dia tava todo mundo sentado na saída do museu esperando o ônibus chegar e eu tava sentada do lado dele, aí eu tava mó cansada e me deu muita vontade de deitar minha cabeça no ombro dele, mas eu achei que seria muito awkward. então fiquei nesse dilema faço/não faço por um tempo enorme, até que o ônibus chegou e minha chance foi embora.

não lembro o que aconteceu mais tarde nesse dia. depois disso tenho uns flashes do aniversário dele, que foi no parque de brinquedos do shopping, e de algumas outras ocasiões em que a gente foi no shopping com os meninos e era legal porque a gente apostava corridas. a gente também gastava todo o nosso dinheiro naquelas stacker machines, empilhando quadradinhos e ganhando brindes de chaveiros de hambúrgueres e bolas de bilhar.

a última lembrança é de alguma feira de ciências ou algo do tipo que ia ter no fim do ano, e ele falou que não ia aparecer, e eu pedi pra que ele aparecesse. quando ele perguntou por que, falei que seria mais legal se ele fosse, mas na verdade eu tava meio desesperada. o ano tava acabando, e no ano seguinte ele provavelmente iria voltar pra curitiba e isso tava me chateando bastante, já que ele era meu melhor amigo da escola na época. bom, que eu me lembre ele realmente não apareceu.

a gente se tinha no msn e no orkut, mas por algum motivo a gente nunca mais se falou. nossa amizade era bem mais pessoal do que virtual, então nos falávamos bem pouco na internet e eu meio que não tinha "intimidade" pra chamar no msn. acho que a gente se pseudo conversou umas duas ou três vezes, mas foi uma conversa rasa e esquisita. então o ano escolar acabou e eu nunca mais ouvi falar dele.

sei que no ano seguinte me bateu uma bad bem grande, porque caiu a ficha de que eu gostava muito dele e que eu devia ter feito algo a respeito. comecei a pensar e percebi que teve algumas indiretas que na hora eu nem me dei conta, além de altas situações das quais eu podia ter tirado proveito. mas ainda acho que seria totalmente esquisito eu ter tido um namoradinho aos 12 anos, mesmo que muitas das pessoas da escola tenham tido até antes. mas sei lá, a bad só durou pela oitava série, já que no ano seguinte eu fui pro ensino médio, conheci um milhão de pessoas novas e esqueci completamente esses arrependimentos.

só vou concluir dizendo que esses dias esbarrei com o perfil dele no facebook (não faço nem ideia de como). não tinha foto nenhuma, só um monte de imagem de games e das zuera de internet. e, juro, foi extremamente absurdo, mas o perfil dele podia facilmente ser o perfil do léo. e juro, eles também eram parecidos fisicamente. |: bom, óbvio que eu não tive nem cara de adicionar.